As alterações climáticas não se combatem com uma única solução.

É necessário reduzir as emissões, proteger os ecossistemas que capturam carbono, diminuir a dependência dos recursos fósseis, utilizar os materiais com maior eficiência e evitar que percam o seu valor após uma única utilização.

O contributo do saco de papel deve ser entendido dentro deste sistema.

Não é um objeto sem impacto, nem uma solução capaz de travar, por si só, o aquecimento global. O seu contributo climático resulta de uma cadeia de decisões que começa na floresta, prossegue na conceção e no fabrico, é posta à prova durante a utilização e pode prolongar-se através da reutilização e da reciclagem.

Tudo começa numa floresta bem gerida

As árvores absorvem dióxido de carbono da atmosfera durante o seu crescimento e armazenam carbono na madeira. Por essa razão, as florestas desempenham um papel essencial na regulação do clima.

Mas não basta que um material provenha de uma árvore.

O seu contributo climático depende da conservação das florestas, da sua capacidade para continuar a crescer, da sua regeneração e de uma gestão que equilibre a obtenção de madeira com a proteção da biodiversidade, do solo e da água, bem como com a resiliência perante incêndios, secas e doenças.

A Agência Europeia do Ambiente recorda que as florestas constituem grandes reservas de carbono e que os produtos obtidos da madeira, a sua utilização sustentável e o aproveitamento em cascata da biomassa podem integrar as estratégias de mitigação das alterações climáticas.

Por isso, a rastreabilidade da fibra e a gestão florestal responsável são tão importantes. A origem renovável não deve ser apenas uma característica do material. Deve ser sustentada por um sistema que assegure a continuidade e a proteção do recurso de que provém.

Da árvore ao saco

Quando a madeira é transformada em papel, uma parte do carbono capturado durante o crescimento da árvore permanece contida nas fibras de celulose.

A legislação climática europeia inclui expressamente o papel entre os produtos de madeira abatida que contêm carbono. Esse carbono não fica armazenado para sempre: no final da vida do produto, pode regressar à atmosfera, dependendo do tratamento que lhe for dado. Por isso, o saco de papel não deve ser apresentado como um armazenamento permanente de carbono, mas como parte de um ciclo biológico renovável.

Esta diferença é relevante.

A principal matéria-prima do saco de papel provém de carbono que antes se encontrava na atmosfera e foi capturado pelo crescimento vegetal. Não resulta da extração de um polímero fóssil acumulado durante milhões de anos sob a superfície terrestre.

Isso não transforma o saco num produto isento de emissões. Produzir papel, transformá-lo, imprimi-lo e transportá-lo requer energia e implica a utilização de outros materiais. O contributo climático depende também da forma como todos esses processos são realizados.

Fabricar melhor também é mitigar

Um saco que utiliza mais material do que o necessário não se torna melhor pelo simples facto de ser feito de papel.

A eficiência começa na conceção.

Escolher a gramagem adequada, ajustar as dimensões ao produto que deve transportar, melhorar a resistência, reduzir os desperdícios, otimizar os processos produtivos e evitar componentes que dificultem a reciclagem permitem cumprir a mesma função utilizando os recursos de forma mais inteligente.

A nova política europeia de embalagens avança precisamente nesta direção: menos resíduos, embalagens mais leves, maior reciclabilidade e eliminação de elementos desnecessários.

O melhor saco não é o que incorpora mais material, mas o que utiliza a quantidade necessária para cumprir corretamente a sua função.

Um saco útil pode voltar a ser utilizado

A reutilização não pertence exclusivamente a um determinado material.

Um saco de papel suficientemente resistente pode voltar a ser utilizado para transportar outra compra, guardar objetos ou responder a diferentes necessidades do quotidiano.

Cada nova utilização permite tirar melhor partido dos recursos e da energia utilizados no seu fabrico.

Os estudos de ciclo de vida devem ser interpretados com prudência, porque os seus resultados dependem da conceção do saco, do peso, do processo produtivo, do transporte, do número de utilizações e do tratamento final. O Programa das Nações Unidas para o Ambiente sublinha que nenhuma alternativa é automaticamente mais sustentável pelo simples facto de ser fabricada com um material diferente e que a reutilização é uma das formas mais eficazes de reduzir o impacto associado a cada utilização.

O saco de papel não precisa de afirmar que supera sempre qualquer outra solução em todas as categorias ambientais.

O seu valor é mais sólido: pode cumprir a sua função utilizando uma matéria-prima renovável, voltar a ser utilizado enquanto conserva as suas prestações e ser depois reciclado para recuperar as suas fibras.

A reciclagem permite que a fibra continue

Quando um saco de papel chega ao fim da sua vida útil e é corretamente depositado no sistema de recolha, as suas fibras podem ser recuperadas para fabricar novos produtos de papel.

A reciclagem não elimina os impactos já produzidos nem transforma a fibra num recurso infinito. Mas evita que um material útil perca o seu valor após uma única utilização e reduz a necessidade de recorrer continuamente a novas matérias-primas.

Espanha dispõe de um sistema consolidado de recolha e reciclagem de papel e cartão. Em 2024, foram recicladas 5,2 milhões de toneladas e a taxa global de reciclagem destes materiais atingiu 83,6%. Não é um valor específico dos sacos de papel, mas demonstra a capacidade de uma infraestrutura que permite recuperar as suas fibras quando são corretamente separadas.

A circularidade, contudo, não começa no contentor azul.

Começa muito antes: quando se concebe um saco reciclável, se selecionam adequadamente os papéis, as tintas, os adesivos e as asas, se utiliza a quantidade necessária de material e se informa o consumidor sobre a sua correta gestão.

Um contributo que tem de ser demonstrado

Seria pouco rigoroso afirmar que qualquer saco de papel apresenta sempre uma pegada climática inferior à de qualquer outra alternativa.

As comparações dependem de múltiplas variáveis e devem considerar todo o ciclo de vida.

Mas também não seria rigoroso ignorar os contributos próprios do papel: a sua origem renovável, a sua integração no ciclo biológico do carbono, a possibilidade de reduzir a dependência de matérias-primas fósseis, a sua capacidade de reutilização e a existência de um sistema amplamente desenvolvido para recuperar as suas fibras.

O contributo climático do saco de papel não reside numa propriedade mágica.

É o resultado de uma floresta que é conservada e regenerada, de uma indústria que melhora a sua eficiência, de um saco concebido para cumprir a sua função com a quantidade adequada de material, de um consumidor que o reutiliza sempre que pode e de um sistema que recupera as suas fibras no fim da sua vida útil.

Mitigar as alterações climáticas também significa mudar a forma como obtemos, utilizamos e recuperamos os materiais.

Nesse percurso, o saco de papel dá um contributo concreto, razoável e capaz de continuar a melhorar.