Durante anos, falou-se dos novos consumidores como se pertencessem a uma geração concreta. Foram descritos como jovens, digitais, impacientes, muito informados e especialmente preocupados com o ambiente.

Contudo, a transformação dos hábitos de consumo acabou por chegar a pessoas de todas as idades.

Hoje, uma pessoa mais velha pode comparar preços no telemóvel antes de entrar numa loja. Um consumidor jovem pode valorizar o atendimento personalizado de um pequeno comércio. Uma família pode comprar online e levantar a encomenda num estabelecimento próximo. E a mesma pessoa pode procurar rapidez numa compra, aconselhamento noutra e uma experiência especialmente cuidada quando adquire algo importante.

O que é verdadeiramente novo não é a idade do consumidor. É a forma como se relaciona com o comércio, com as marcas e com as decisões que toma.

Mais informação, mas também mais dúvidas

Nunca tivemos tanta informação disponível antes de comprar.

Podemos consultar opiniões, comparar produtos, analisar características, conhecer a origem dos materiais e descobrir em poucos minutos o que outros consumidores pensam sobre uma empresa.

Mas dispor de mais informação não significa necessariamente confiar mais.

A par de conteúdos úteis, surgem avaliações falsas, descontos confusos, mensagens publicitárias difíceis de distinguir de uma recomendação e alegações ambientais que nem sempre podem ser verificadas. O consumidor aprendeu a orientar-se neste ambiente, mas também se tornou mais prudente.

Já não recebe passivamente aquilo que uma marca lhe diz. Compara-o com a sua experiência, com o que observa no estabelecimento e com as decisões concretas que a empresa toma.

A sustentabilidade é importante, mas não é suficiente

O consumidor atual continua preocupado com as alterações climáticas e com as consequências ambientais das suas decisões, mas essa preocupação coexiste com o preço, a comodidade, a funcionalidade e a necessidade de fazer face às despesas até ao fim do mês.

O Painel de Avaliação das Condições dos Consumidores da Comissão Europeia demonstra esta complexidade. As considerações ambientais estiveram presentes em 43% das decisões de compra em 2024, menos treze pontos percentuais do que em 2022. A própria Comissão relaciona esta descida com o aumento do custo de vida e com a falta de confiança em muitas alegações ambientais. Ao mesmo tempo, 81% dos europeus apoiam o objetivo de alcançar a neutralidade climática até 2050 e 59% afirmam ter adotado recentemente alguma medida para combater as alterações climáticas. Os dados não revelam indiferença, mas mostram um consumidor que procura conciliar as suas convicções com as suas possibilidades e que exige maior credibilidade.

A sustentabilidade, por conseguinte, não pode ser apresentada como uma qualidade isolada capaz de compensar tudo o resto.

Um produto tem de funcionar. Um serviço tem de ser cómodo. O preço tem de ser razoável. E qualquer alegação ambiental deve apoiar-se em factos compreensíveis e verificáveis.

Quer soluções, não aparências

Esta mudança afeta também o saco que o consumidor recebe no final da compra.

O consumidor não precisa de um saco que pareça sustentável. Precisa de um saco que cumpra corretamente a sua função, proteja os produtos, suporte o peso, seja cómodo e possa voltar a ser utilizado sempre que possível.

A escolha do material importa, mas também importam o design, a resistência, o tamanho adequado e a quantidade de material utilizada.

O saco de papel reúne precisamente estas duas dimensões. É uma solução prática para transportar a compra e, ao mesmo tempo, uma escolha de material coerente com uma economia que pretende utilizar recursos renováveis e mantê-los em circulação.

O seu valor ambiental não decorre de imprimir uma folha de árvore, utilizar a cor verde ou acrescentar uma palavra inspiradora. Decorre da sua matéria-prima, da forma como é fabricado, da sua capacidade para cumprir a função para a qual foi concebido e da posterior recuperação das suas fibras através da reciclagem.

A Europa está a transformar esta exigência de rigor numa nova regra de mercado. A diretiva europeia que capacita os consumidores para a transição ecológica, aplicável a partir de 27 de setembro de 2026, reforça a proteção contra o greenwashing e contra alegações ambientais genéricas que não possam ser devidamente fundamentadas.

O saco surge no momento da verdade

A entrega do saco pode parecer um pormenor menor na experiência de compra. Contudo, acontece num momento especialmente significativo: quando o estabelecimento conclui o serviço e o cliente se prepara para sair.

Perguntar se precisa de um saco evita utilizá-lo desnecessariamente e devolve valor àquilo que é entregue.

Quando é necessário, o saco tem de corresponder. Deve adaptar-se à compra, facilitar o seu transporte e prolongar, fora do estabelecimento, o cuidado com que o comércio atendeu o cliente.

O saco acompanha a pessoa pela rua, chega a sua casa e pode voltar a ser utilizado. Durante esse percurso, dá também visibilidade ao estabelecimento que o entregou.

Não substitui um bom produto nem um bom atendimento. Também não demonstra, por si só, toda a política ambiental de uma empresa. Mas pode tornar-se uma expressão concreta das suas escolhas.

Coerência antes da perfeição

Os novos consumidores não esperam necessariamente empresas perfeitas. Sabem que qualquer atividade económica utiliza recursos e gera impactos.

O que rejeitam, com uma clareza cada vez maior, é a contradição.

Desconfiam de uma empresa que fala de sustentabilidade enquanto mantém práticas que não correspondem a esse discurso. E valorizam aquela que explica com simplicidade o que faz, reconhece o que ainda tem de melhorar e toma decisões compreensíveis.

O saco de papel pode fazer parte dessa coerência.

Não precisa de prometer mais do que aquilo que é. Basta cumprir bem a sua função, provir de um recurso renovável gerido de forma responsável, poder ser reutilizado quando o seu estado o permite e entrar depois num sistema de reciclagem amplamente implementado.

O novo consumidor não pede que o convençam com grandes palavras.

Quer verificar que cada escolha faz sentido.